Vulcão dos Capelinhos

Vulcão dos Capelinhos 

A última erupção dos Açores

 

A vida na Ilha do Faial nunca mais foi a mesma após a erupção do vulcão dos Capelinhos, a última dos Açores, ocorrida há 61 anos. Foi lá na Ponta do Capelo, no extremo oeste da ilha, que às 6h45 do dia 27 de setembro de 1957, o mar aparentemente calmo entrou em estado de fúria. Apesar da erupção ter sido antecedida por 12 dias de pequenos sismos, ninguém antecipava o por aí vinha. Afinal, os Açores são um território vulcânico, localizado no limiar de diversas placas tectónicas, e todos os dias ocorrem dezenas de sismos de baixa intensidade que nem se fazem sentir. 

 

Mas como é que a notícia da tragédia chegou a terra? Quem estava de serviço no posto de vigia da baleia do Comprido naquele dia deve ter esfregado os olhos até ter a certeza do que via. Afinal, o que estava no mar em nada se assemelhava a uma baleia. Estávamos numa época onde a caça à baleia era ainda permitida nos Açores, tendo-se hoje transformado numa atividade turística de excelência e altamente recomendada: a observação de cetáceos. Do vigia a notícia chegou ao faroleiro, e só depois às autoridades da cidade da Horta. 

 

O farol visitável dos Capelinhos

O vulcão originou-se no mar, e dele surgiram nuvens cinzentas e explosões que jorravam jatos de cinza. Um cenário de fúria da Natureza incrivelmente belo, mas extremamente perigoso de se assistir. Após os sete meses de atividade vulcânica marítima, a fúria da Natureza chegou à terra e os rios de lava incandescente tentavam subir o mais alto possível. Para susto da população, a Caldeira do Faial registou também alguma atividade vulcânica sob a forma de fumarolas na madrugada de 13 de maio de 1958. Felizmente, os sinais desapareceram numa questão de semanas.     

 

Como ainda se pensava que as catástrofes naturais eram castigo do Divino ao Homem, a comunidade da pequena freguesia do Capelo, em dezembro de 1957, começou a fazer romarias diárias ao local, na esperança de que a situação acalmasse. O céu estava sempre negro, os terrenos de cultivo estavam cobertos de cinzas vulcânicas, e as casas das imediações acabaram por ser soterradas pelas cinzas, ou por ruir com a força dos tremores de terra. 

 

Os caminhos de cinza
Vulcão dos Capelinhos 

 

Como consequência de muitas pessoas terem ficado desalojadas, a Lei dos Refugiados dos Açores foi assinada, em 1958, pelo então presidente americano John F. Kennedy, autorizando a emigração das pessoas afetadas. Sabe-se ainda que, muitas pessoas viram nesta lei uma oportunidade de recomeçarem as suas vidas, mesmo aquelas que não viviam nas zonas afetadas. Arranjaram maneira de comprovar que ali viviam, talvez por via de atestados de residência falsos, e partiram para o outro lado do Atlântico em busca de melhores condições de vida.  

                               

O rasto de destruição deixado por esta erupção foi enorme, mas passado tanto tempo podemos afirmar que, sem dúvida, é uma das paisagens mais emblemáticas de todo o arquipélago dos Açores. O Centro de Interpretação do Vulcão dos Capelinhos foi construído debaixo da terra, estando assim soterrado, de forma a não interferir com a paisagem natural existente. No final da sua visita, aproveite para subir ao Farol e desfrute da paisagística da primeira erupção submarina vivida, documentada e estudada desde o primeiro momento ao momento final. A 24 de outubro de 1958 a atividade vulcânica dos Capelinhos extinguiu-se.

 

Farol dos Capelinhos 

 

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